sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Enfeite Solitário.

Embora eu esteja só começando minha caminhada pela vida eu estou tão cansado que esse começo tem vestígios do fim. É como a mudança dramática da cor viva de um camaleão perdendo o lúdico a fé, e a esperança. O acumulo paradoxo nos 23 anos de idade, sem culpa nem remorso. São muitos personagens no inconsciente turvo do dia em desatino; eu sou como um conjunto de livros guardados na gaveta de um armário, esquecido há tempo. Eu trabalho o cansaço que tenho na ideia, na constante chuva fina que cai sobre os meus ombros. Eu estou mais encharcado como nunca fiquei estado antes. É a vida em seu ensaio rustico fodendo os meios cognatos. O sono dos dias provocando ruídos, eu não sei se sinto ou se ouço essa música gravada somente na memória dura dos meus medos. A cor ainda rubra das cicatrizes marcadas na minha pele crua – nula – gritando o alfabeto da minha alma nua. Tudo é como um rio que passa no seu sentido peregrino coletando sonhos, que é a crença inventada do sono. Curtindo solenemente a investida do tempo, sussurro os verbos recorrentes a essa caminhada enfastiada de prosa, e sedenta pelo alivio da chegada. Eu tenho razão eu estou cheio de razão, e a razão é uma flor nascida clandestina em meu peito fechado e esquecido. A pétala superior da consciência guardada em meu leito celeste, seu aroma semeia um perfume angelical, um perfume vernal, que preenche a aurora do meu jardim juvenil, a flor é a estação universal do meu corpo. Mesmo que eu esteja só começando a rotina dos meus dias, a mão pesada da realidade cai sobre minha cabeça, e nesses dias sem consolo, tudo vai perdendo o encanto no fundo dos meus olhos entreabertos – pesados – por conta do delírio contínuo que trago comigo. Eu estou concentrado na sobrevivência. Eu estou indo de encontro ao futuro esticado em um horizonte marcado para ter um fim. E por falar em fim, eu termino aqui o fado entediado de enfeitar aniversários.


® Thiago França Bento/Para o dia 09, de todo Dezembro.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Consciente inexistente.

Quando enfim o frio da noite adentrou a janela do meu quarto, pude então perceber tamanha solidão. Havia estado por horas, sentado na cadeira debruçado na mesa por cima de livros e recortes de jornal. Buscando desesperadamente por uma ideia que descrevesse o real aspecto da minha incapacidade emocional. A mesma sensação fria de antes perturbava a minha estadia, tomando meu corpo, uma auréola gelada envolvia-me. Levantei para tentar observar de onde vinha uma música fina que trinava nos meus ouvidos – talvez estivesse marcada na memória. O cansaço do meu corpo vencia-me muito rapidamente, e em nada que eu me pusesse a pensar distraia-me a atenção do meu estado seco e, sem inspiração. Um caos implantado dentro da minha cabeça. Essa sensação de inutilidade, esse desconforto emocional. Anônimo na vida, um conto persistente de uma racionalidade que não encontra razão no consciente. Tudo a minha volta definhando. E esse abismo de todas as coisas é o sossego.


® Thiago França Bento.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Reflexo Efêmero.

O espelho do banheiro totalmente embaçado pela fumaça do banho quente, que acabara de tomar. Ele demorou a perceber a sua imagem destorcida, que estava refletia no espelho. Demorou ainda mais para perceber, que alguém refletia no espelho. Leve piscada com os olhos, não estava entendendo, de repente pensou, que nunca tinha entendido nada. Permanecendo ali – parado – fitando o buraco fundo, que por um momento o espelho tivera se transformado, que refletindo sua imagem, não suportava o fato de não se reconhecer. Os traços ainda permanecem sendo os mesmos, só não sabia em quem se tornou. Entendera em um súbito pensamento invasivo, que passara por sua mente, o quanto sua vida estaria embaçada, assim como o espelho. Não sabe ser, e não sabendo ser, deixa de ser o que vive sendo. O peso úmido do silêncio o envolveu, o silêncio pesando suave na pele nua, como um poema suado, permanece no silêncio com sua pele úmida.


® Thiago França Bento/2015.

sábado, 14 de novembro de 2015

A fragrância.

Vez e outra o vento sussurra palavras em meus ouvidos. A palavra parece carecer de ser ouvida. Parece querer ser – ser o que ainda não é. Palavra cumprida. Trem que não tem destino certo. Só palavra sem ponto – vírgula só de vez em quando. Tudo está às claras – eu sei. E de um amoroso verso de mim, entre eu e a palavra está à vida. Procuro consolida-la. E pondo em conta que o que eu tenho é só a intenção. Palavra é como revelação. Nasce sem se saber de onde. Meu pensamento que também se certifica, o sol nasce á palavra cresce – brota também. Num dia em que o sol radiava raios cumpridos, de um resplendor que dava é gosto de perceber, eu estava sumido pelo campo – lá entre as rosas – pela beira do riacho caminhando. Fui surpreendido. Primeiro tudo foi se esclarecendo. O céu foi tomado por um brilho intenso, brilho que eu ainda não havia visto. As árvores pareciam sorrir. Tudo ganhando outro compasso. Outra métrica – forma mesmo. Eis ela, a palavra, ligeira e cheia de mistérios, parecia querer conversar. Revelara-se para mim pela primeira vez. Um êxtase sem comparação. E a palavra tomando conta de mim por completo. Amei logo este campo da revelação. A palavra era agora uma aliada minha – filha mesmo. E sem invocações ela era livre dentro de mim. Ela sorria para mim – era quente – muito valiosa. Eu saberia logo, que cercado por palavras não carecia de mais nada desta vida. O meu amor. Tocha de fogo reluzente, que clareando tudo, dava gosto de viver. Este amor fresco de um brilho de ouro pusera em mim uma sensibilidade nova. Uma vida nova. Eu não via nunca a noite chegar, o céu estava sempre às claras. Sempre novo. Reluzindo vida e, muito amor. A palavra perfuma os pensamentos, é toda conjuntura da intelectualidade. Ela é à força do enredo. Na história é todo o sentido, o começo meio e o fim. É a que da forma. Visto que é ela que te escolhe. Brado triunfantemente para quem quiser ouvir: palavra é para se sentir.


® Thiago França Bento.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A revelação.

Então seguindo peregrino e desesperado eu ainda mantenho as lágrimas da fé. Meu coração não aprendeu a ser o alvo. Meu coração tem sido medonho quando o corpo se entristece. Da cama, ergui-me trêmulo e sem controle. Minha vida que se diga, o frio do silêncio tomou conta de mim, como se toda realidade fosse um perigo constante. Eu tive que tragar a realidade antes que ela me convencesse. E então eu era o que sou preso a essa carne aparentemente sólida. Eu sou o lírico das manhãs. O cinzento do dia, a parte despercebida do humano. Num dia de inverno, numa hora mansa da madrugada, com o pensamento deslocado eu simplesmente não era nada. A sensação tornara-se absurda. Desesperadamente muda. Abstrata. Minha alma atordoada perdeu o brilho. E então eu sou o pensamento, o mesmo pensamento de sempre. A cena muda de outrora, o tempo criado embaixo dos meus olhos. Que suprema revelação! Eu sou o pensamento que se tornara para sempre pálido e, muito confuso. O céu adormece em mistérios ocultos, e tentar decifrá-los é ter com ele um grande e, profundo desgosto.


® Thiago França Bento.

domingo, 25 de outubro de 2015

Muito confuso.

Eu tive que ter pena. Antes de tudo ter pena. Eu pensava em um mundo disposto, cheio de expectativas, me encontrei desarmado. Com a alma carregada de versos, o espelho de um céu cujo fundo é branco. Eu me dei conta que do mundo só se pode ter pena. Tudo cresceu a ponto de se perder da vista. O tempo rodou sinistramente. E eu podia sentir toda a curiosidade e paixão desse novo tempo. Céu transitório. Minha alma tem a penumbra da chuva, o frio. O pensamento se recolheu a uma impassibilidade.


® Thiago França Bento.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Depois que eu partir.

Toda criação perdera a certeza do brilho. Todo animal rosnava sofrimento. Toda árvore gemia de dor. Toda ave trinava desamor. Uma torturada e lenta sensação de tudo. Eis que eu sentia o fundo do sentir. Dor antiga atingira meu peito nesta hora em que tudo dorme. Oh, silêncio, eu te saúdo, rendido ao teu domínio. Oh, véu puro da noite, eu te saúdo, teu fulgor é a vivência. Até fingi ser livre, mas minha alma violada era presa em uma fina fumigação do pensamento. Foi num domingo, sentando a beira de um rio, que meu coração parou. Primeiro ele enfraqueceu seu ritmo, e pouco a pouco foi parando de bater. Parei de respirar. O corpo estremeceu por completo. Senti-me sufocado. A negritude da morte encobriu tudo em minha volta. Onde é que estava a vida? Tudo estava sobrando agora. Meu corpo magríssimo, de pernas cumpridas. As mãos suadas, e os olhos entreabertos. Onde é que eu existo agora? Se não para fora de mim. Onde a sensação ultrapassa tudo. Onde o corpo perdera o sentido. E sem sentido nada encontra motivo. Oh, silêncio, eu te saúdo, rendido ao teu encanto. Entre mim e você existe a calma. Uma infinita calma. Existe a infinita jornada muda e tola que o pensamento encobre. Existe o que guardei das manhãs cinzentas. Existe a chuva fina que envolvera minha existência. Então o meu corpo esvai-se. A pele esquece-se do prazer que é a vida. E agora minha alma existe onde há a frieza e, o vazio do fim. Sem contorno o sentimento não vale nada. E sem a vida muito menos. O que é mesmo viver? Esqueci-me da calma. Ela é uma criança que chora. Um susto da existência do que fui. Uma claridade, a realidade, do que agora eu sou. Minha alma antagonista venceu o corpo. Corpo que nunca foi meu. Corpo que ali continuara na beira do rio, que no contato com a terra se desfará em pó. Em mim tudo secou. Porque é no fim que descobrimos que nascemos para morrer.


® Thiago França Bento/2015.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O hospício das certezas.

Deus! Compreendemos a vossa misericórdia para com todos nós, mas entenda também que as necessidades tem sido uma das principais causas para tantos desastres e tantos pecados cometidos. O querer e o poder – passaram do ponto. Em uma desordem humana – tudo é desencontro desesperado.

Suplicando pacientemente eu tenho uma dor profunda, e um fado pesado sobre as costas. Eu adentro madrugadas, múltiplas suplicas na busca pelo conforto das respostas. De Deus mesmo! Um silêncio também profundo adentrava a rocha terrestre das minhas questões. Um ponto obscuro de ideias – a minha falha noturna é tecer rezas desarmoniosas. E como quem não sabe rezar. Tentar ir de encontro ao tão grandioso Deus de todas as coisas.

Mas, passada o inútil destas reclamações, meu espirito já inquieto transfigura-se na imagem desconcertante de certezas recém-criadas pelo meu ego. Na vida há um ponto coerente sobre o saber: Se você sabe. Cala-te por completo na sua filosofia indefinida! E dentro do desespero perturbador dos ignorantes, que se dizem sempre saber, encontramo-nos cara-a-cara com um blasonar infinito de afirmações sem firmamentos. Os que não sabem – danam-se a falar e falar!

A vida de conflitos intermináveis, essa ressonância de tudo, dentro da ignorância do nada. Reparemos calmamente na direção do vento, que hora indefinido, encontra repouso no cume das árvores. Dando-nos a imagem perfeita de uma dança. Encontramos a sintonia perfeita da liberdade, onde o querer dentro do poder é um templo de realidade. Reparemos também na facilidade do voo que os pássaros desempenham – uma harmonia talentosa – que nos dá a doce sensação da liberdade. Mas, entendo que a realidade é a monotonia do tempo – que com tempo – passa como passa esse vento.

Chegando a conclusão precária destas minhas ideias, sobre querer entender as certezas que a vida nos obriga a ter, entendo que assim como os sonhos, as certezas fazem parte do domínio estéril da imaginação. Bem tolo! A imaginação é construída por desejos friamente consolados pelas vontades. As certezas são pecados guardados especialmente para as horas da inquietude da alma.


Thiago França Bento/2015.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Lençóis Suados.

Era uma cena que se transformava. As vozes frescas evocavam sete palavras de amor: (perdoe-me a confusão, mas não se sabe ao certo se eram palavras de amor), amizade, memória, viagem, água, sono, medo e festa. As palavras entrelaçavam-se, aconchegavam-se. O quarto onde existia uma mesa e sobre a mesa um jarro com três rosas; amarela, vermelha e branca, as cores se misturavam, remetia uma sensação de prazer absoluto. Se bem alembro Nosso Senhor Jesus Cristo mais uma vez crucificado, enfeitava a parede ao lado de um quadro, velho quadro, do homem sem camisa, que fitava o nada. Um deserto atravessado, tudo cabia dentro daquele quarto. Longas ruas, praças, velhos e crianças. Eu estava parado, amedrontado de tal forma que o suor escorria pelo meu corpo. O peso do mar sobre meus frágeis ombros. Sentia-me menino outra vez, e era como se toda a minha vida estivesse ali. Despertado – Isto me parece uma grande tolice. O ar morno que percorria pelo quarto, vinha de um braseiro de lata, que emanava uma luz fraca, luz tremula. Um arrepio espiritual, mas minha carne defrontara com a sensação desconhecida de todo o ambiente. Que episódio breve, muitos homens e mulheres. Entregues, despidos da moral, tudo um carnaval de ideologias. Essa base indeterminável. A sanguessuga consciência: dormir é para quem tem calma.


® Thiago França Bento.

De Silêncio e de Luz.

Aturdido e muito confuso. É o amor que eu tenho para dar. Suspiro amoroso. Eu estou me sentindo moído – mas coerente. Ao outro dia lá estava toda a minha coragem pulsando. Um rebuliço, uma chacoalhada dentro do peito. E nesta rocha esta cravada todas as cruzes, e seus sentimentos. Ah, coração maltratado, riscadinho e muito tocado. Tremendamente lívido; eu estou dentro deste amor, amor que eu também sou. Toda minha carne percebe escândalos – percebe tudo. Escorre lágrimas em meu rosto. E eu, tremendo todo, meu sangue pulsando, pulsando mais. Outra vez o meu amor ressoou, as águas cantou. Não resisto, nunca resisti, cedi. Outra vez, e outra. Profundo peregrinar dentro desses suspiros. Mas meu amor é paciente. Muito tranquilo, assim eu reino descalço no silêncio.


® Thiago França Bento.

domingo, 30 de agosto de 2015

À luz da existência – o Homem é feito do sonho.

Sereno e doce. Eu estou vivo, mas ainda não existo. A minha alma desabrochada vaga clandestina na esperança. Um sentido desconhecido – novo – contrário ao universo. O meu corpo ainda inexistente, enlevado ao mistério da massa, estendido neste recinto em que sou o sono, faltam-me os traços da obediência. Faço do raciocínio um cenário lívido servindo a natureza de onde estou. O rio está preso à água assim como eu estou preso à consciência. Daí os dias em exercícios justificados. Certo de que estou por dentro, junto ao imperfeito das sensações. Nada é suficiente porque sou eu que ainda não sou suficiente. Quando eu surgi serei minha companhia.


® Thiago França Bento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Artista insultuoso.

A arte esta presa ao que ele criou. Esta presa ao perfume primaveril das suas lembranças. Tudo tem sido sinceramente uma oração. A fonte é inesgotável, mas seu corpo padece vil. O corpo não pode escapar. Tece ardentemente palavras no silêncio de seu âmbito. Pisam-no com os sapatos do esquecimento. Rezam desnecessariamente por ele. O sentido mesquinho das rezas é a pobreza das palavras; quanto ao íntimo, tecem-se sombras aprisionadas. A arte o esta esgotando. Ainda assim ouve-se um som levíssimo, perceptível ao sensível da alma... Lateja nele está noite nevoenta.

“Deem mais remédio a ele, a consciência o esta afetando...”.


® Thiago França Bento.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Um espírito polido na recusa.

Vêm ligeiro – e às vezes bradara o nome de Deus – as regras das letras que não estão sucumbindo os tronos da inconsciência. Mas meu coração crucificou-se ao tocar os ombros de Jesus. Tivera eu o nome do que não fui... Assim exclamava tremulo no ar o cantarolar do anjo condenado. Mas quem estava no meio dele também estava no meio das outras tiranias. Também compreendera que finalmente o céu e terra gerariam as revelações do amor. Salvei a vida – ainda que vazia. Tudo sobrou tudo foi pouco perto do anoitecer. Todo homem ao canto da boca traz a escuridão dos dias que outrora a terra estremeceu. O Poeta já sumido... Lá ficou aberto... E vazio!


® Thiago França Bento.

domingo, 16 de agosto de 2015

Estrela coroada de brilhante. O céu é feito d’água.

Um azulado muito forte... Braços que sustentam a estranheza da vida, as coisas que nos cansam aos poucos. O trabalho é construir as carícias da vida. Um paraíso de luz e silêncio. E no silêncio o meu amor. Sobre ondas que batem. Dilacera a criatura desesperada que sou. Uma estrela isolada que some no fundo tristonho da impaciência. Compus bruscamente os versos de uma contemplação, mas, meu sentimento está preso no ar, preso ao que desconheço a fundo. Entre nós o espaço do mundo – o espaço da paixão do mundo. Antes eu era qualquer coisa que podia tocar universo, hoje, de certo sou as palavras amargas do mar. Terra legionária, indolente. Batendo ferozmente palmas no escuro.


® Thiago França Bento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Curvara-se na Suavidade de um Sonho.

Veja Mestre, as portas estão abertas! (Persevera o fiel) Não me tirem a atenção das coisas ocultas. Não vê que o meu silêncio é puro, e calmo! (Contesta o Mestre) O Mestre levanta-se de sua cadeira; a consciência é o passo para a inteligência! Através do sonho, flutuo em uma superfície claramente misteriosa, meus pés não tem contato com o chão. O sonho é o único caminho. A porta que todos passaram. Todas essas figuras. Rostos que se parecem. Todos tem por essência o mesmo destino. Cada qual em seu tempo. O tempo é determinado pelo o que está acima! (O fiel resmunga os seus quereres) Ao alto, o Mestre, erguido em uma parede que reluz, ensina-o o que deve ser feito. Mostra-lhe uma montanha: tudo que sobe, não desce. Tudo que desce, não sobe. Eis que o começo é o início do fim. E também o despertar para o infinito. (o Mestre cala-se) Tudo que me rodeia nesta sala oca despede-se como que subitamente. Ambos, o fiel e o Mestre, dispersam. Ao fundo da mente uma voz me diz. O sonho é de luz, é a relíquia do Deus pai. Livre, a sua intelectualidade é luminosa. Veja que tudo em ti é a poeira da tua existência! Acordo acariciando minha face. Tudo em mim está frio.


® Thiago França Bento.

domingo, 2 de agosto de 2015

Eloquência da Autoridade.

Figuras. Muitas figuras, juntas num só domínio. Assombroso e devoto... O que é riso converteu-se em frieza. O homem alegre em meio à multidão colhe o farto perfume das orações. Neste campo todos os homens são revestidos pelo pensamento. Num antigo jardim, a poeira subia entre outros costados.  Iluminações, as lágrimas da fé, tudo dentro do vaso da Santidade. O templo semeava um cheiro suave. Um cheiro convidativo ao casal. Sobre o peso do sono da manipulação, agora novos, e humanos. Revestidos de carne puseram sobre a face vergonha, e as lágrimas do medo. Nada tinham de luz. Jaz preso ao cume do universo. Longos dias cruzados, o corpo pálido e pesado. Calo-me! Ah! A inconsciência beija-me a face.


® Thiago França Bento.

sábado, 1 de agosto de 2015

Ao império flagelado.

Silêncio és a natureza bruta da agonia. Sorve o brilho de tudo. Ensaiando o voo nos altares dos cristãos. A súplica é uma entrada estabelecida ao túmulo. Eis a espada do sacrifício dos pensamentos: a fé e seu adorno de filosofias. Caso-me junto ao altar, estendido sobre um manto fumegante, o meu corpo subitamente divino, divino no sentido amargurado da divindade, sofre esse arrepio da paixão. O mármore frio do deus descido, as sombras de tudo quanto à existência humana perpetua sobre o pesado sono da religião. Todos á espera de um sacrifício. Então congratulo em clamor! Em dizeres vos digo; da luz também procede à escuridão.


® Thiago França Bento.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Meu amor: tudo em nós é fracasso.

O infindável chão do caminho cruzado do amor. O homem decai sobre o frágil sentimento. Tudo em saudade adormece no coração. Nas lágrimas esse devaneio enfastiado de silêncio. A tarde compunha um triste verso de amor. Uma voz fresca cantara no íntimo, (ou centro) da terra. Junto aos espinhos do sentimento, a cabeça mergulhada em obscenidades, erguiam-se novos homens vestidos de sombras. No campo um deserto; uma oração ao barro endurecido. Duas longas notas murmurava o triste entardecer do mundo. Logo tudo que versa o amor, morre revestido de uma cor púrpura, escorre no fracasso, e tudo é o sereno do fim. Ah! Meu Deus! O amor é estupido.


® Thiago França Bento.

O verso do Universo.

No alto céu acinzentado um recolhido deslumbramento. O céu está imerso a um silêncio fúnebre. Paira sobre os ombros largos da cidade um redemoinho calado que o vento trouxera sem que ninguém percebesse. A espera, do outro lado, com um canto pálido, jaz o rapaz vigorosamente. Orgulhoso o rodopiar do vento, fere o sentimento nulo do rapaz, que com os olhos vidrados, encara-o sem intimidar-se. E é quando por estranha imposição o vento desmonta-se e some preso ao ar. No templo vicioso do vento mora todas as inquietações, perturbações. Eis que fervilha tudo envolta da multidão. O universo é o verso desesperado. Há qualquer interrogação no pensamento curioso do rapaz. Qualquer espantar-se com a ideia da realidade.


® Thiago França Bento.

A Uma Infiel Sensibilidade.

Sobrancelhas erguidas; os olhos para ver a faceta. Haverá uma consagrada interpretação dos gestos alheios. Um jeito mudo da interrogação. O interrogado ergue a ilusão do entendimento. Nada que se pode enxergar existe. É o abismo da imperfeição. Tudo que existe não se pode enxergar. Todos explorados pela encenação dos sonhos. A vida não há governo, a vida é um completo desconhecimento do âmbito. Na alma só a poesia ergue-se infinita. O deus, o que está absolutamente interior, redige os critérios da intelectualidade. As moscas dessa existência serve como denuncia aos que tardão o conhecimento da metafísica. O sonho é falso estimulo. É magia em vão.


® Thiago França Bento.

sábado, 25 de julho de 2015

O Grito da Casa ao Lado.

Sua voz ecoava pelos cantos escuros do lugar. Seu pranto condizia com a dor que tecia as palavras. Os meus olhos e os meus ouvidos atentos a tal sinfonia de desesperos. A fragilidade e a bravura correspondem a tão bela coragem ao encarar os fragmentos. Seu cabelo emana uma luz corajosa do vermelho vivo de Iansã. E em seus gestos o vento rende-se ao aconchego de uma senhora mãe. No seu sorriso, é onde me deleito nos prazeres desta fria imaginação. Nestes mistérios pensados, eis a amiga dos meus sonhos encantados.


® Thiago França Bento.

As Lágrimas nos Funerais.

Ah, esse amor das tardes frias. Adentra pelo dorso de minha alma esse fascínio verdejante dos jardins salpicados pelo sereno da chuva. O embaçado dia de memórias marcadas; chove esse entardecer de sentimentos dentro de mim. O vento ocioso resgata outras lembranças. Jaz no peito uma saudade que, por hora, roça pertinente o meu amor. Quão bendito os versos que outrora o poeta versejava; rimando suaves palavras persuadira o meu triste coração. Em delongas as minhas memórias vagueiam nas lembranças esquecidas. É lívida a face da saudade. Não sorri quase que nunca. Estremece o íntimo dando-o os arrepios da morte. Enfim o silêncio persuadira-me todo, e o que era solidão tornara-se a escravidão da sepultura. Fim!


® Thiago França Bento.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A ficção da palavra.


Um escritor corrupto, de ideias corruptas e de alma corrupta. Um poeta que nada tem de amor – que chora a dor de lembranças que se embaraçam dentro da alma que vaga sem destino. Um poeta pagão que nada tem de fé nas santas palavras que dilacera sem sentido ou justificativa.

Minha alma solitária trás um vestígio de saudade, de um tempo não vivido, de uma vida não vivida – sendo uma vida vazia. Vem-me esse arrepio de não saber o que fazer comigo, e quando estou em mim, nada tenho com a razão. Vem à saudade e a vontade na contramão. Rio, um riso desassossegado de mentiras que me vem disfarçada de alegria para enganar meu coração, uma saudade que mata muito antes do que se pode imaginar. Escrevo uma escrita descontrolada tentando dar ritmo ao que está sem controle em mim, sou eu que estou mais sem controle agora, sem vida e sem a dignidade de um humano melhor.

O que tenho eu com eles? Que nada tem eles com a realidade, a minha realidade tarde em um conforto que o meu coração deseja, e eles de corações vazios enganam-se como miseráveis e ridículos – que o são. Ridículos na ação de quererem enganar-se fingindo sentir uma satisfação. Mas minha alma justificativa também é ridícula, e que nela nada eu justifico. Meu coração não se desliga – minha mente não para – estou a morrer aos poucos, não tenho salvação.

Talvez eu espere a reconciliação vulgar dos fatos que me levam a ser descontrolado quando estou dentro de mim; talvez minha rotina esteja a me consumir e a me por em prova do ridículo diante dos meus sentimentos que vagão em busca de um perdão. Minha alma canta um canto de desamor, uma ingratidão que trago dentro das minhas lembranças enternecidas na desilusão que sofrera meu coração. Por isso não me recomponho – por isso nunca me reconheço dentro do que sou. Sou diferente dos homens que passam por mim pela rua, sou diferente de todos eles; cada qual tem sua nítida certeza de serem exatos no que fazem, eu nada tenho de exatidão. Não conduzo nem mesmo as palavras que trago comigo, não ouso nunca conduzi-las.

Tenho o medo, a negritude da natureza do medo, o medo incomunicável de ser o que por predestinação já sou. Esquecendo-me de tudo a minha volta. Agora vem o intervalo para o cigarro e a xícara de café; saiu de mim o eixo dos sentimentos que trazia, e nunca mais consigo voltar a ser o que era.

® Thiago França Bento.
Imagem: Ivan Alifan/