domingo, 30 de agosto de 2015

À luz da existência – o Homem é feito do sonho.

Sereno e doce. Eu estou vivo, mas ainda não existo. A minha alma desabrochada vaga clandestina na esperança. Um sentido desconhecido – novo – contrário ao universo. O meu corpo ainda inexistente, enlevado ao mistério da massa, estendido neste recinto em que sou o sono, faltam-me os traços da obediência. Faço do raciocínio um cenário lívido servindo a natureza de onde estou. O rio está preso à água assim como eu estou preso à consciência. Daí os dias em exercícios justificados. Certo de que estou por dentro, junto ao imperfeito das sensações. Nada é suficiente porque sou eu que ainda não sou suficiente. Quando eu surgi serei minha companhia.


® Thiago França Bento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Artista insultuoso.

A arte esta presa ao que ele criou. Esta presa ao perfume primaveril das suas lembranças. Tudo tem sido sinceramente uma oração. A fonte é inesgotável, mas seu corpo padece vil. O corpo não pode escapar. Tece ardentemente palavras no silêncio de seu âmbito. Pisam-no com os sapatos do esquecimento. Rezam desnecessariamente por ele. O sentido mesquinho das rezas é a pobreza das palavras; quanto ao íntimo, tecem-se sombras aprisionadas. A arte o esta esgotando. Ainda assim ouve-se um som levíssimo, perceptível ao sensível da alma... Lateja nele está noite nevoenta.

“Deem mais remédio a ele, a consciência o esta afetando...”.


® Thiago França Bento.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Um espírito polido na recusa.

Vêm ligeiro – e às vezes bradara o nome de Deus – as regras das letras que não estão sucumbindo os tronos da inconsciência. Mas meu coração crucificou-se ao tocar os ombros de Jesus. Tivera eu o nome do que não fui... Assim exclamava tremulo no ar o cantarolar do anjo condenado. Mas quem estava no meio dele também estava no meio das outras tiranias. Também compreendera que finalmente o céu e terra gerariam as revelações do amor. Salvei a vida – ainda que vazia. Tudo sobrou tudo foi pouco perto do anoitecer. Todo homem ao canto da boca traz a escuridão dos dias que outrora a terra estremeceu. O Poeta já sumido... Lá ficou aberto... E vazio!


® Thiago França Bento.

domingo, 16 de agosto de 2015

Estrela coroada de brilhante. O céu é feito d’água.

Um azulado muito forte... Braços que sustentam a estranheza da vida, as coisas que nos cansam aos poucos. O trabalho é construir as carícias da vida. Um paraíso de luz e silêncio. E no silêncio o meu amor. Sobre ondas que batem. Dilacera a criatura desesperada que sou. Uma estrela isolada que some no fundo tristonho da impaciência. Compus bruscamente os versos de uma contemplação, mas, meu sentimento está preso no ar, preso ao que desconheço a fundo. Entre nós o espaço do mundo – o espaço da paixão do mundo. Antes eu era qualquer coisa que podia tocar universo, hoje, de certo sou as palavras amargas do mar. Terra legionária, indolente. Batendo ferozmente palmas no escuro.


® Thiago França Bento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Curvara-se na Suavidade de um Sonho.

Veja Mestre, as portas estão abertas! (Persevera o fiel) Não me tirem a atenção das coisas ocultas. Não vê que o meu silêncio é puro, e calmo! (Contesta o Mestre) O Mestre levanta-se de sua cadeira; a consciência é o passo para a inteligência! Através do sonho, flutuo em uma superfície claramente misteriosa, meus pés não tem contato com o chão. O sonho é o único caminho. A porta que todos passaram. Todas essas figuras. Rostos que se parecem. Todos tem por essência o mesmo destino. Cada qual em seu tempo. O tempo é determinado pelo o que está acima! (O fiel resmunga os seus quereres) Ao alto, o Mestre, erguido em uma parede que reluz, ensina-o o que deve ser feito. Mostra-lhe uma montanha: tudo que sobe, não desce. Tudo que desce, não sobe. Eis que o começo é o início do fim. E também o despertar para o infinito. (o Mestre cala-se) Tudo que me rodeia nesta sala oca despede-se como que subitamente. Ambos, o fiel e o Mestre, dispersam. Ao fundo da mente uma voz me diz. O sonho é de luz, é a relíquia do Deus pai. Livre, a sua intelectualidade é luminosa. Veja que tudo em ti é a poeira da tua existência! Acordo acariciando minha face. Tudo em mim está frio.


® Thiago França Bento.

domingo, 2 de agosto de 2015

Eloquência da Autoridade.

Figuras. Muitas figuras, juntas num só domínio. Assombroso e devoto... O que é riso converteu-se em frieza. O homem alegre em meio à multidão colhe o farto perfume das orações. Neste campo todos os homens são revestidos pelo pensamento. Num antigo jardim, a poeira subia entre outros costados.  Iluminações, as lágrimas da fé, tudo dentro do vaso da Santidade. O templo semeava um cheiro suave. Um cheiro convidativo ao casal. Sobre o peso do sono da manipulação, agora novos, e humanos. Revestidos de carne puseram sobre a face vergonha, e as lágrimas do medo. Nada tinham de luz. Jaz preso ao cume do universo. Longos dias cruzados, o corpo pálido e pesado. Calo-me! Ah! A inconsciência beija-me a face.


® Thiago França Bento.

sábado, 1 de agosto de 2015

Ao império flagelado.

Silêncio és a natureza bruta da agonia. Sorve o brilho de tudo. Ensaiando o voo nos altares dos cristãos. A súplica é uma entrada estabelecida ao túmulo. Eis a espada do sacrifício dos pensamentos: a fé e seu adorno de filosofias. Caso-me junto ao altar, estendido sobre um manto fumegante, o meu corpo subitamente divino, divino no sentido amargurado da divindade, sofre esse arrepio da paixão. O mármore frio do deus descido, as sombras de tudo quanto à existência humana perpetua sobre o pesado sono da religião. Todos á espera de um sacrifício. Então congratulo em clamor! Em dizeres vos digo; da luz também procede à escuridão.


® Thiago França Bento.