terça-feira, 22 de setembro de 2015

De Silêncio e de Luz.

Aturdido e muito confuso. É o amor que eu tenho para dar. Suspiro amoroso. Eu estou me sentindo moído – mas coerente. Ao outro dia lá estava toda a minha coragem pulsando. Um rebuliço, uma chacoalhada dentro do peito. E nesta rocha esta cravada todas as cruzes, e seus sentimentos. Ah, coração maltratado, riscadinho e muito tocado. Tremendamente lívido; eu estou dentro deste amor, amor que eu também sou. Toda minha carne percebe escândalos – percebe tudo. Escorre lágrimas em meu rosto. E eu, tremendo todo, meu sangue pulsando, pulsando mais. Outra vez o meu amor ressoou, as águas cantou. Não resisto, nunca resisti, cedi. Outra vez, e outra. Profundo peregrinar dentro desses suspiros. Mas meu amor é paciente. Muito tranquilo, assim eu reino descalço no silêncio.


® Thiago França Bento.

domingo, 30 de agosto de 2015

À luz da existência – o Homem é feito do sonho.

Sereno e doce. Eu estou vivo, mas ainda não existo. A minha alma desabrochada vaga clandestina na esperança. Um sentido desconhecido – novo – contrário ao universo. O meu corpo ainda inexistente, enlevado ao mistério da massa, estendido neste recinto em que sou o sono, faltam-me os traços da obediência. Faço do raciocínio um cenário lívido servindo a natureza de onde estou. O rio está preso à água assim como eu estou preso à consciência. Daí os dias em exercícios justificados. Certo de que estou por dentro, junto ao imperfeito das sensações. Nada é suficiente porque sou eu que ainda não sou suficiente. Quando eu surgi serei minha companhia.


® Thiago França Bento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Artista insultuoso.

A arte esta presa ao que ele criou. Esta presa ao perfume primaveril das suas lembranças. Tudo tem sido sinceramente uma oração. A fonte é inesgotável, mas seu corpo padece vil. O corpo não pode escapar. Tece ardentemente palavras no silêncio de seu âmbito. Pisam-no com os sapatos do esquecimento. Rezam desnecessariamente por ele. O sentido mesquinho das rezas é a pobreza das palavras; quanto ao íntimo, tecem-se sombras aprisionadas. A arte o esta esgotando. Ainda assim ouve-se um som levíssimo, perceptível ao sensível da alma... Lateja nele está noite nevoenta.

“Deem mais remédio a ele, a consciência o esta afetando...”.


® Thiago França Bento.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Um espírito polido na recusa.

Vêm ligeiro – e às vezes bradara o nome de Deus – as regras das letras que não estão sucumbindo os tronos da inconsciência. Mas meu coração crucificou-se ao tocar os ombros de Jesus. Tivera eu o nome do que não fui... Assim exclamava tremulo no ar o cantarolar do anjo condenado. Mas quem estava no meio dele também estava no meio das outras tiranias. Também compreendera que finalmente o céu e terra gerariam as revelações do amor. Salvei a vida – ainda que vazia. Tudo sobrou tudo foi pouco perto do anoitecer. Todo homem ao canto da boca traz a escuridão dos dias que outrora a terra estremeceu. O Poeta já sumido... Lá ficou aberto... E vazio!


® Thiago França Bento.