sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Enfeite Solitário.

Embora eu esteja só começando minha caminhada pela vida eu estou tão cansado que esse começo tem vestígios do fim. É como a mudança dramática da cor viva de um camaleão perdendo o lúdico a fé, e a esperança. O acumulo paradoxo nos 23 anos de idade, sem culpa nem remorso. São muitos personagens no inconsciente turvo do dia em desatino; eu sou como um conjunto de livros guardados na gaveta de um armário, esquecido há tempo. Eu trabalho o cansaço que tenho na ideia, na constante chuva fina que cai sobre os meus ombros. Eu estou mais encharcado como nunca fiquei estado antes. É a vida em seu ensaio rustico fodendo os meios cognatos. O sono dos dias provocando ruídos, eu não sei se sinto ou se ouço essa música gravada somente na memória dura dos meus medos. A cor ainda rubra das cicatrizes marcadas na minha pele crua – nula – gritando o alfabeto da minha alma nua. Tudo é como um rio que passa no seu sentido peregrino coletando sonhos, que é a crença inventada do sono. Curtindo solenemente a investida do tempo, sussurro os verbos recorrentes a essa caminhada enfastiada de prosa, e sedenta pelo alivio da chegada. Eu tenho razão eu estou cheio de razão, e a razão é uma flor nascida clandestina em meu peito fechado e esquecido. A pétala superior da consciência guardada em meu leito celeste, seu aroma semeia um perfume angelical, um perfume vernal, que preenche a aurora do meu jardim juvenil, a flor é a estação universal do meu corpo. Mesmo que eu esteja só começando a rotina dos meus dias, a mão pesada da realidade cai sobre minha cabeça, e nesses dias sem consolo, tudo vai perdendo o encanto no fundo dos meus olhos entreabertos – pesados – por conta do delírio contínuo que trago comigo. Eu estou concentrado na sobrevivência. Eu estou indo de encontro ao futuro esticado em um horizonte marcado para ter um fim. E por falar em fim, eu termino aqui o fado entediado de enfeitar aniversários.


® Thiago França Bento/Para o dia 09, de todo Dezembro.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Consciente inexistente.

Quando enfim o frio da noite adentrou a janela do meu quarto, pude então perceber tamanha solidão. Havia estado por horas, sentado na cadeira debruçado na mesa por cima de livros e recortes de jornal. Buscando desesperadamente por uma ideia que descrevesse o real aspecto da minha incapacidade emocional. A mesma sensação fria de antes perturbava a minha estadia, tomando meu corpo, uma auréola gelada envolvia-me. Levantei para tentar observar de onde vinha uma música fina que trinava nos meus ouvidos – talvez estivesse marcada na memória. O cansaço do meu corpo vencia-me muito rapidamente, e em nada que eu me pusesse a pensar distraia-me a atenção do meu estado seco e, sem inspiração. Um caos implantado dentro da minha cabeça. Essa sensação de inutilidade, esse desconforto emocional. Anônimo na vida, um conto persistente de uma racionalidade que não encontra razão no consciente. Tudo a minha volta definhando. E esse abismo de todas as coisas é o sossego.


® Thiago França Bento.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Reflexo Efêmero.

O espelho do banheiro totalmente embaçado pela fumaça do banho quente, que acabara de tomar. Ele demorou a perceber a sua imagem destorcida, que estava refletia no espelho. Demorou ainda mais para perceber, que alguém refletia no espelho. Leve piscada com os olhos, não estava entendendo, de repente pensou, que nunca tinha entendido nada. Permanecendo ali – parado – fitando o buraco fundo, que por um momento o espelho tivera se transformado, que refletindo sua imagem, não suportava o fato de não se reconhecer. Os traços ainda permanecem sendo os mesmos, só não sabia em quem se tornou. Entendera em um súbito pensamento invasivo, que passara por sua mente, o quanto sua vida estaria embaçada, assim como o espelho. Não sabe ser, e não sabendo ser, deixa de ser o que vive sendo. O peso úmido do silêncio o envolveu, o silêncio pesando suave na pele nua, como um poema suado, permanece no silêncio com sua pele úmida.


® Thiago França Bento/2015.